Fechar o Ministério é dar passe livre ao capital selvagem, diz líder da CNTA

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Artur Bueno de Camargo é líder da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (CNTA Afins), da qual se encontra afastado por razões de saúde, até 10 de janeiro. Longe da presidência, mas atento aos fatos, ele critica o fechamento do Ministério do Trabalho anunciado por Jair Bolsonaro. O sindicalista falou nesta quarta (5) com a Agência Sindical.

 

Principais trechos:

. Capitalismo selvagem
“O fim do Ministério é um presente do futuro presidente para o mau empresário, que não negocia, descumpre acordos coletivos, passa por cima da Convenção Coletiva de Trabalho, não comparece nas mesas-redondas e quer os auditores-fiscais longe de sua propriedade.”

. Empresário correto
“Já o empresário que anda direito nada perde com um Ministério ativo. Para os exportadores, por exemplo, a comprovação de que respeitam os empregados e cumprem a lei lhes dá uma espécie de certificado de qualidade. E isso tem peso crescente no mercado internacional.”

. A importância efetiva da Pasta
“Eu ando este Brasil, nas Federações e Sindicatos da categoria, e vejo no Ministério do Trabalho um instrumento efetivo no equilíbrio das relações entre capital e trabalho. Uma mesa-redonda bem encaminhada evita conflitos, resolve problemas trabalhistas e dá segurança à empresa de que ela não será fiscalizada e multada.”

. Papel da fiscalização nas empresas
“O Ministério Público do Trabalho só entra numa empresa se estiver acompanhado de um auditor-fiscal do Ministério do Trabalho, porque esse auditor tem poder de polícia. Sem esse poder, quem vai, por exemplo, mandar interditar uma máquina perigosa ou um setor que expõe a vida do trabalhador as riscos?”

. Áreas rurais
“Na minha base, tem muita usina e frigorífico nas zonas rurais. A usina utiliza mão de obra no corte de cana e de outros setores, onde as condições de trabalho quase sempre são precárias. Ou seja, há uma cadeia produtiva, que o Ministério inspeciona. O País não pode perder isso e deixar o trabalho degradante se espalhar por todos os cantos.”

. Desmembramento do Ministério
“Vejo com muita preocupação esse desmembramento do Ministério e sua repartição com Pastas como a da Justiça. Que experiência tem a Justiça na questão do reconhecimento e da representação sindical? Me preocupa a ideia de que tentarão manter o sindicalismo sob pressão e ameaça. Isso compromete nossa autonomia e a própria democracia”.

Mais informações: Ligue para (61) 3242.6171 (CNTA/Brasília) ou (19) 3446.3222 (sala de apoio/Limeira).

 

Fonte: Agencia Sindical

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