Haddad vai precisar avançar no Sudeste para vencer pleito

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Se quiser ganhar esta eleição, Fernando Haddad (PT) invariavelmente terá de avançar no Sudeste —região em que o PT tem perdido apoio nos últimos segundos turnos.

Para ter ao menos 50% do eleitorado e garantir sua eleição, o petista precisa ganhar mais de 27 milhões de votos, se tanto ele quanto o líder Jair Bolsonaro (PSL) não perderem eleitores do primeiro turno e ficar estável a taxa de comparecimento de eleitores.
No Nordeste, Sul e Centro-Oeste houve 19 milhões de votos dados aos demais candidatos na primeira votação.
Ou seja, mesmo na situação praticamente impossível de Haddad conseguir 100% desses votos, ele não teria maioria necessária para garantir a vitória na rodada final.
Os estados do Sudeste concentram 47% dos votos em disputa no segundo turno (que não foram para Bolsonaro e Haddad na primeira votação).
Em números absolutos, são 17 milhões de eleitores. Só São Paulo possui 9,7 milhões —majoritariamente apoiadores de Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e João Amôedo (Novo).
Bolsonaro, para garantir maioria, necessita de menos de 10 milhões no país todo.
Além do volume de votos a serem conquistados, o PT vai ter de lutar contra o retrospecto de segundos turnos.
O partido vem perdendo votação no Sudeste. Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 63% dos votos contra o tucano José Serra.
Os percentuais caíram desde então, chegando a 44% em 2014, quando Dilma Rousseff enfrentou o também tucano Aécio Neves.
Em tese, Haddad tem mais chances de receber os votos dados a Ciro no primeiro turno. O candidato derrotado já anunciou que deve declarar apoio ao petista, ainda que seja de forma “crítica”.
Além disso, Ciro obteve suas melhores votações no Nordeste, onde Haddad tem menor rejeição. O pedetista foi o mais votado no Ceará, estado onde fez carreira política e teve dois milhões de votos.
Outro aspecto positivo para Haddad no estado é que o governador Camilo Santana (PT) venceu no primeiro turno, indicando apoio ao partido.
Fábio Takahashi , Leonardo Diegues e Renan Marra
Fonte: Folha de SP

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